terça-feira, 14 de março de 2006

DESCULPE, MAS TENHO DE IR...

Chamam-lhe seco ao telefone? Não suporta estar mais de dois minutos agarrado ao auscultador? Quer dizer à sua mãe ou namorada(o) que tem de desligar, mas tem medo que fiquem aborrecida(o)s? Pretende ver-se livre dos operadores de telemarketing, que lhe ligam à hora de jantar. Está farto de aturar clientes ao telefone, mas não lhes quer dizer que tem mais que fazer?


AGORA SIM, JÀ PODE!

Especialmente para os leitores deste blog (e não só… para os amigos deles também), o feirafranca propõe-lhe que, educadamente desligue o telefone, sem qualquer tipo de constrangimento e passe a desfrutar de uma maior qualidade de vida, no sossego do seu lar. Para o efeito propomos um serviço, completamente gratuito, que lhe permite fazer downloads dos mais diversos sons – desde o tradicional, bater à porta, até (imagine-se!) um rebanho a pastar (para o caso de se encontrar no campo) – que no momento corroborem as desculpas que queira dar ao seu interlocutor, para desligar o telefone!


Feirafranca: A Casa Plácido da blogosfera!

segunda-feira, 13 de março de 2006

voar

Sei que a maioria das pessoas enquadra-se na categoria dos que “gostam ou não se importam” de viajar de avião.
Pois eu não pertenço a essa pandilha. Eu odeio viajar de avião. Tenho aquele temor reverencial por tudo que é antinatural e muito rusticamente digo: se Deus quisesse que voássemos, viveríamos em ninhos. Nutro a mesma repulsa pelas viagens de barco – da última vez que me vi ao espelho não notei nenhuma barbatana nas costas, da mesma forma que nunca se me sumiu a base ou o blush para as guelras.
Por isso, acredito piamente que a lei da gravidade é um statement divino a não vexar. Há-que andar com os pézinhos no chão. Não se deve zombar das leis da natureza e ponto final.
A vida impõe-me, no entanto, prazeres irrenunciáveis. Amor, chocolate amargo, viagens. Não há volta a dar-lhe. O terceiro dos vícios anunciados colide frontalmente com o pavor de voar. E porque hoje o que conta não é a distância mas o tempo que se leva a chegar, surge, incontornável, a blasfémia do Avião.
Por isso às vezes, em nome do vício, lá tenho que fazer o check-in e embarcar. Lá tenho que pagar os olhos da cara por umas horas da mais subida e aflitiva angústia. Nem posso botar abaixo um par de JackDaniel’s sem gelo para tentar minorar a histeria porque não gosto de whisky; também não me dou grande coisa com Valium.
E começa o calvário: desde logo, as náuseas provocadas por aqueles cheiros aeronáuticos, que resultam de um mix de vomitados mal limpos, de comida entornada para debaixo dos bancos onde os aspiradores não chegam e de perfumes baratos da malta que viaja em turística (que agora se chama economy). Depois, tudo o resto me ensandece: a colocação das valises de mão e demais tarecada nos porta bagagens (processo que se assemelha sempre a um scketch do Roan Atkinson), a música dum qualquer Phill Collins a perturbar o ambiente, as “aeromoças” com ar de enfado, as pessoas que nunca mais se sentam porque estão excitadíssimas por “ir andar de avião”... Esta trapalhada vai-se desenrolando enquanto se ouve o captain a testar a aeronave fazendo uns barulhinhos quaisquer tipo aparafusadora sem fios Black&Decker. Será que enquanto isso estará a pensar: “Vamo lá ver se a rebimbela da grampôla não encrava como no voo de ontem pra Paris...”
Jesus!
De seguida, quando se ouve nos altifalantes “portas em disarm” (que diabo será isso?) inevitavelmente chega a hora da descolagem... Palavra de honra, é do que mais mexe comigo, ao ponto de ficar com os olhos mareados. Primeiro, é aquela aceleração incrível em que temos a nítida sensação de que “se este fulano quiser parar, já não dá...” à qual se segue o esmagamento dos pulmões e estômago contra os intestinos – este é o sinal de que as rodinhas do bicho deixaram o solo... A subida é, normalmente, acompanhada de umas inclinações e uns abanões por demais desconfortáveis acompanhados do acentuar do ranger dos plásticos que compõe os interiores da aeronave (de certeza que são do mais inflamável que há).
Após a exaustão provocada por estas sensações físicas, banhada em suor frio, vem o pior: é altura de perder o controlo dos meus pensamentos: tudo me passa pela cabeça, desde que relacionado com acidentes abomináveis. Tenho tanto tempo disto (voei pela primeira vez quando tinha 6 anos de idade) e tal jeito para piorar a minha situação que no meu acervo psicótico de catástrofes aéreas uma explosão é a ocorrência mais soft.
Durante os meus últimos voos tenho me debatido com a análise e ensaio mental de acidentes que ocorram sem a componente explosão e/ou despressurização. Tenho desprezado estas nuances porque a primeira resolve tudo instantaneamente e a segunda resulta para a população viajante a perda de consciência, de modo que em nenhum dos casos ocorrerá a roda viva do desespero-agonia-sofrimento. Assim, enquanto uns ouvem música ou passam os olhos pela revista da companhia aérea para matar o tempo, imagino como serão vividos os largos minutos de queda livre do aparelho numa viagem de longo curso (em que são atingidas altitudes da ordem dos 45.000 pés, cerca de 14 quilómetros). Nesses delirium tremens a cabine está sempre pressurizada e iluminada, de modo a que as pessoas possam ser testemunhas do horror que se deve apoderar da cara das outras. Isto fora os gritos e o vomitado...
Não deve ser pêra doce. A plena consciência do que se está a passar e a inevitabilidade da desgraça deve compor um quadro particularmente dantesco.
Acreditem: passo horas nisto. Pode vir a comida, o carrinho do duty free on board, pode passar o Brad Pitt vestidinho de “aeromôço” que não adianta: a psicose está sempre lá... Não tenho cura.
Entretanto começamos a descida e os meus tímpanos vão dando conta disso. Os pulmões e o estômago que na descolagem haviam esmagado os intestinos vão, finalmente, sofrer vingança. De lágrimas nos olhos e unhas bem cravadas nos braços do assento (que inevitavelmente conquisto ao passageiro do lado depois de lhe rosnar se for necessário) acabo por sentir o baque do monstro na pista. É altura de a populaça bater palmas e divertir-se a ver os flaps nas asas enquanto eu, secretamente, carrego com o pé direito num pedal de travão imaginário debaixo do assento do passageiro da frente. É que me parece sempre que o captain não vai conseguir fazer a besta parar sem um peão na pista...
Para os interessados em agudizar o seu pavor de voar ou em dar umas valentes gargalhadas com as psicoses alheias, recomendo uma visita a www.planecrashinfo.com, um site sério onde poderão, por exemplo, ouvir ficheiros MP3 com comunicações rádio dos últimos momentos anteriores aos desastres ou ficar a conhecer o elenco de sinais e ruídos que possam significar que algo deve estar a correr mal no vosso voo.
Boa Viagem!

sexta-feira, 10 de março de 2006

clube beretta 2000 - os diários

As conversas com o biela: sobre o indivíduo e o estado

Parte I – a derivação nihilista

Para o biela, circular e viver em Fornos com uma Beretta entalada nos costados era, acima de tudo, uma questão filosófica. Será à primeira vista difícil compreender como é que andar com uma arma (no caso do biela, uma pistola semi-automática Beretta 8000 F Cougar L type P de 9mm) pode ter alguma coisa a ver com uma determinada mundividência, com um determinado posicionamento ontológico sobre as coisas do mundo. Mas isso seria desconfiar do biela! Seria participar de preconceitos relativamente à sua sabedoria e à sabedoria que existe naqueles que nos possam parecer mais humildes. Seria também perspectivar coisas e pessoas, segundo banalizações e estereótipos estafados, desconfiando assim de toda uma bagagem adquirida nos livros e numa vida feita de trabalho árduo. Ora, eu não creio que alguém que vive e trabalha honestamente na sua oficina como mecânico de automóveis, trazendo sempre presa pela cintura uma pistola automática, enquanto simpática e muito diligentemente procede ao alinhamento de direcções, ou faz mudanças de óleo, possa ser reconduzido àquilo que de normal conhecemos das coisas. Não. Algo mais se esconde e o biela estava nos antípodas de toda a superficialidade dos dias, a que se manifesta por empurrões de arrogância e que funciona pela agregação a modelos de ignorância e de hedonismo, modelos de onde está ausente aquele mínimo de cultura e de história, que muito simploriamente assenta na pura sofisticação da imagem que nos limitamos a consumir, e onde assumir qualquer conteúdo ou princípio mais rígido que lhe seja inverso, é proibido. Ignora-se assim, o valor das coisas simples, das sabedorias antigas, o valor da abordagem humilde, ainda que seja muita a cultura e o conhecimento que possamos partilhar.
Por isso (porque, de certo modo, todos no Clube Beretta partilhávamos esta última visão das coisas) se o biela me dizia que trazer uma pistola entalada pela cintura (afivelada pelo cinto), era para ele, uma questão filosófica, eu não poderia deixar de acreditar. Tanto mais, que depois me explicou porquê...
Trazer por sistema a semi-automática não tinha tanto a ver com o assumir de um nihilismo nietzschiano com o qual o biela (ou nós mesmos!) estaríamos comprometidos. Não haveria da nossa parte uma tentativa de tudo reduzir a cinzas, no pressuposto de que existe um profundo engano, uma perversão da verdadeira natureza do homem operada pela predominância e domínio dos valores de tradição judaico-cristã. Não. Nós não havíamos sido corrompidos! É certo, reconhecia o biela, que sendo portador de uma arma, por vezes se tornava difícil resistir a essa derivação nihilista e que às vezes também lhe passava pela cabeça dedicar-se à loucura, metralhando tudo. Mas nada desses pressupostos acabavam por assumir a verdadeira relevância no porquê filosófico da arma. Para o explicar, lembrou-se de convocar um pequeno parágrafo, de inspiração nietzshiana,

“foram os judeus quem, em oposição à equação aristocrática do nascimento nobre, da riqueza, da bravura (bem é igual a aristocrático, igual a riqueza, igual a belo e feliz, igual a amado pelos deuses) ousaram (...) sugerir a equação contrária (...) só os desgraçados são bons; só os pobres, os fracos, os humildes são bons; os que sofrem, os necessitados, (...) são os únicos que são piedosos, os únicos que são abençoados, a salvação é só para eles. Mas vocês (...) os aristocratas, vocês os homens de poder, são para toda a eternidade o mal, o horrível, o avaro o insaciável, o ímpio;”

Muito embora a sabedoria e suas derivações não sejam assunto desconhecido de quem habitualmente o frequenta, a citação, dita num tom algo incisivo, provocou alguma perplexidade no habitual alinhamento do balcão do “Café Tareco” – significativamente atestado, mas que por manifesta infelicidade de metros quadrados, nunca fora grande – tendo eu igualmente notado, que essa mesma perplexidade chegou a ressoar pelos espelhos e alumínios que constituíam o seu singelo elemento decorativo, eles, mais as mesas e cadeira lacadas a verde água onde nos sentávamos. Indiferente, firme, o biela prosseguiu a sua explicação. Se o coitado do Nietzsche, com parágrafos como aquele, acabara por morrer louco, ele, o não menos brilhante biela, estava sobretudo interessado em preservar a respectiva sanidade, vivendo por muitos mais anos como mecânico de automóveis (afastando-se da condição de inimputável!) e por isso rejeitava qualquer entendimento que filosóficamente o pudesse ligar a um super-homem remontado da respectiva loucura, renascido das cinzas do judaísmo e do cristianismo, que posteriormente viesse a restabelecer uma ordem oligárquica entre os homens, cuja inspiração derivaria directamente da antiguidade clássica. Não! O biela perfilhava o Deus monoteísta daquela tradição judia e nada queria ter a ver com a interminável e promíscua sucessão mitológica dos Deuses do Olimpo, cuja própria história confundem, ainda para mais, por gostarem em demasia de se carregar e pôr uns em cima dos outros! Uma vez mais, não! A razão da semi-automática, o fundamento filosófico para a sua permanente presença no quotidiano, estava para o biela umbilicalmente ligada ao liberalismo filosófico-político dos séculos XVII e XVIII, de tradição modernista e pressupostos hobbesianos, nos termos dos quais, o indivíduo, a irrepetibilidade da pessoa humana era e é, a medida única para todas as coisas, o único princípio válido em torno do qual, toda a arquitectura da existência deveria assentar as suas bases. O quotidiano da Beretta era, enfim, a expressão última de um individualismo filosófico feroz que ele procurava desse modo perfilhar, e que no seu entender, era cada vez mais acossado pela opressão do Estado, que pela burocracia e pelo funcionalismo procurava deturpar e distorcer esse contrato ancestralmente estabelecido e no qual o indivíduo era e deveria continuar a ser o seu ente e dominante principal... Hoje, em face da dimensão e do controlo estadualmente exercido sob o mais amplos e diversos domínios da existência, a única coisa a que como indivíduos poderíamos aspirar, era a réstias, a episódios de individualidade, pelas quais o biela estaria disposto a lutar de faca nos dentes.
Por coincidência ou não, mas como pura manifestação desse mesmo individualismo agressivo e senhor de si mesmo, cada vez mais raro, tombara com estrondo no mesmo instante, o tijaquim das malotas. Sabe-se que todo o Homem sempre se movimenta preservando um ângulo recto ao solo, ainda que lhe seja muito difícil manter um rumo certo, ou mesmo tomar uma direcção. Mas o tijaquim, numa demonstração tanto de virtuosismo como de ritual alcoólico, bebera um último copo ao balcão do “Café Tareco” inclinando-se de tal forma para trás que se esquecera dessa aquisição evolutiva. Já estendido, gemeu então ao retardador.... aaiiiii!, mas ninguém lhe ligou nenhuma...

clube beretta 2000 - os diários

Parte II – do liberalismo filosófico

Pensei no quanto de agressividade de que somos capazes quando nos sentimos acossados. Pensei que nessa gradação, o desespero ou mesmo a demência poderiam ter um importante papel a desempenhar – das razões que nos impõem ou nos trazem a violência, não vale a pena acreditarmos que nelas, ou depois delas, haverá espaço para um instante de equilíbrio, para o ajuizado. Por norma, é sempre mais violência aquilo que sobra, até que nos comece também a faltar o tempo para a repetir em acréscimos, dando-lhe uma eterna continuidade.
Olhei para fora das duas pequenas janelas do Café Tareco. Com o olhar houve alguma pausa nos ecos e nos sons que lhe conheço. Afinal, era o dia que também se ia encerrando, e Fornos haveria hoje de viver esses dias de transtorno e de incómodo. De há uns anos para cá, semeara-se uma ruindade que entretanto brotara e crescera pelos seus carreiros e pelas ruas. Da identidade que lhe fôramos conhecendo – da gente trabalhando sementeiras no campo, do São Miguel que encerrava todos os anos as suas esforçadas tarefas, dos dias determinados pela som e a presença da luz, do gado, dos cães e de todos os outros animais que nos circundavam os dias – a única coisa que ainda se fazia presente, eram as couves do quintal que se coziam abundantemente na sopa, ou o tutano da mão de vaca que por norma se lhe juntava, ou então, o espectáculo de ver correr galinhas depois de lhes cortar o pescoço (o povo deixara de se juntar e matar porcos, em nome de regulamentos assépticos e veterinários e às vezes, entretinha-se a recordar histórias enquanto as galinhas decepadas esbarravam nas paredes). Fornos era hoje acossada pela impossibilidade urbana, pelo mito de que o progresso surge por desatar a construir paredes ao alto, rebocando-as por fora de azulejo para casas de banho. Fora esse o progresso especulativo dos ignorantes que viraram empresários, que viraram falidos. Fora esse o progresso deixado a meio e que fazia conviver actualmente sementeiras e batatas com edifícios desconexos, implantados aos repelões, e toda uma outra gente que não se respeita e não se conhece de parte nenhuma. É daqui a derivação feroz, o impulso individual e agressivo quando nos impõem caminhos que não escolhemos, quando abandonam os projectos impossíveis. O drama é que em Fornos já ninguém conhece o que quer que seja ...
O tijaquim das malotas lá se deixou ficar estendido e não gemeu mais. Por vezes movimentava ligeiramente o braço direito, fazendo-o correr ao longo do corpo, coçando-se aqui e ali mas deixando-se quedo, a ver se se recompunha. Quem fosse do Café Tareco sabia que bem o poderiam ali fechar, encerrando o estabelecimento, que seria o tijaquim das malotas quem encontrariam na manhã seguinte pendurado ao balcão, já à espera que lhe fosse servido o primeiro bagaço. No Café Tareco, toda a gente condescendia nessa sua vontade de morrer por desgosto (um homem é livre de morrer quando e porque razões quiser!) e por algumas vezes nos havíamos conluiado para que esse funcionalismo piedoso da Segurança Social não fizesse abortar esse seu propósito suicida, enviando-o uma qualquer instituição de solidariedade social, por sempre achar que para o Homem, há esperança. A única esperança do tijaquim das malotas era que o deixassem morrer rápido por congestão do bagaço e não seria o Estado que o iria impedir de fazer da sua vida, o que muito bem entendesse. As suas contas seriam assunto com Deus e não com burocratas bem intencionados apenas com a própria sobrevivência económica. Por isso o tijaquim das malotas contava com a nossa colaboração caridosa para com essa sua última expressão de vontade.
Não por ironia, tudo reforçava o enquadramento que vinha discutindo com o biela e que fundamentava o porquê filosófico das armas, sobretudo como uma afirmação agressiva de individualidade.
No fundo, não havia nada aonde não metesse o Estado o bedelho! Nem o simples desejo de morrer impedia que a diligência do seu funcionalismo nos batesse á porta! O Estado sabia o teu nome, a tua idade, se eras casado, solteiro ou divorciado, se compravas na farmácia espermicida, ou se tinhas com gosto oferecido qualquer coisa de mais valor à tua mulher! O Estado sabia se eras gordo ou se eras magro, se tinhas problemas de epilepsia, quantas propriedades tinhas ou quanto achavas por bem investir na Rua de Ceuta, no Porto. E viria seguramente o dia em que, por razões de saúde pública ou de medicina preventiva, te obrigariam a frequentar rastreios sanitários, de tempos a tempos, onde te enfiam sondas em todos os buracos que trazes, delicadamente apalpando-te os tomates, enquanto te pedem para abrir a boca e para dizer aahhhh!... É por isso que a arma é a tua única solução! O Estado, sobretudo aquele de inspiração social-democrata, tornou-se num pardieiro de zelo e de regulamentos ridículos e inconcebíveis, que apenas servem para justificar os salários que tu próprio pagas! O contrato de inspiração hobbesiana celebrado com a individualidade de cada um, para a necessária preservação dessa individualidade e irrepetibilidade de cada um, foi subvertido pelo Estado e nele, as diferentes dimensões inerentes a cada pessoa humana, é secundarizada por imposições de modelos que o próprio Estado define. Ele estrangula-nos e trata-nos como verdadeiros estúpidos em seu próprio benefício, quase incapazes do próprio raciocínio. E a quem assim não alinha, a quem acredita que algures foi subvertida a relação indivíduo/estado em prejuízo do domínio sobre ti mesmo, do teu destino, não resta senão o poder da arma como afirmação última dessa individualidade que se vai perdendo, assumindo a sua verdadeira natureza humana, do bem e do mal. Neste último aspecto, a arma constituía até um mecanismo de responsabilização quanto ao teu próprio destino, porque te dava o poder da escolha, o poder de o definires e de afirmares a tua existência pelo bem, ou pelo mal que entendas praticar. Com uma arma na mão, não haveria mediadores: eras tu e a consciência da tua história, a consciência daquilo em que acreditas.
É aliás essa opção e vontade estadual de aspirar ao condicionamento da natureza humana, dela obliterarando toda a ruindade e toda a violência (fazendo-se de Deus Pai Todo – Porderoso, criador do universo) em que assenta e motiva o zelo do funcionalismo que o serve, nesse inconcebível propósito. O Homem é objecto de todas as violências e é por isso que nós, no Clube Beretta, pretendemos ser esse contraponto, o outro lado das coisas, contra o consenso e o mimetismo a que nos seus dias, todos os outros se dedicam. O Clube Beretta e a arma que o mesmo pressupõe, não é senão a afirmação dessa mundividência a que todos deixaram de prestar atenção. Se Fornos assim o pudesse também traria Berettas na mão e uma faca nos dentes e o tijaquim das malotas, senão estivesse já morto para si mesmo, enquanto vivia para todos os outros, também seguramente se nos juntaria...

FRASES SOLTAS ... III PARTE.


RIBEIRO E CASTRO dixit:
«Sou líder de um partido, não sou chefe de banda!!!»
(Reacção ao facto de o Grupo Parlamentar do CDS/PP não ter batido palmas a Jorge Sampaio)

A DEMOCRACIA DE ALGUNS

A falta de aplausos dos grupos parlamentares do PCP e do BE na tomada de posse no novo Presidente da República demonstram a falta de cultura democrática destes dois partidos, que, simplesmente, não admitem, nem aceitam, a escolha do voto popular.

Do mesmo modo, e em consonância com a sua campanha eleitoral, o candidato derrotado Mário Soares abandonou em passo acelarado a Assembleia da República sem se prestar aos cumprimentos da praxe ao novo Presidente.
Outro cuja cultura democrática não parece vinda de quem tanto lutou contra a ditadura.

quinta-feira, 9 de março de 2006

FRASES SOLTAS ... II PARTE.

"Soares saiu do Parlamento sem cumprimentar Cavaco. O antigo Presidente da República Mário Soares abandonou, esta quinta-feira, o Parlamento sem cumprimentar o novo chefe de Estado, Cavaco Silva".
(FONTE: TSF)
BELO «SABER PERDER»!

FRASES SOLTAS ...


“Eu sou o único comentador isento em Portugal, todos os outros estão agarrados à sua agenda política”
MIGUEL SOUSA TAVARES (ao «Diário Económico»)
PERDEU-SE, NESTE PAÍS, TODO O SENTIDO DE DECORO OU VERGONHA!!!!

ARTES & OFÍCIOS

Há pessoas que nascem com dons! Mas há aquelas que, quando entram para uma determinada categoria profissional, adquirem aptidões e capacidades intrínsecas a essas profissões. Um jogador de futebol é muitas vezes tido como um artista, facto que decorre da sua capacidade técnica no desenvolvimento da actividade profissional. Mas com tanta visualização de bola, começamo-nos a aperceber que há uma outra arte (não sei se lhe deva chamar desta forma, deixa lá ver... vamos lá: capacidade!) que praticamente todos eles têm, pelo simples facto de jogarem futebol!
Refiro-me concretamente ao cuspir, ou ainda melhor… e isso sim é uma verdadeira arte: o expelir do muco nasal, com um simples tapar de narina!


FANTÀSTICO!!!!!
(Atenção! muito bom mesmo…)


Esta era uma habilidade que me passava um pouco despercebida, mas com a evolução dos meios técnicos televisivos, comecei a valorizar este pequeno fenómeno, dentro do grande universo futebolístico. Foi ontem, na segunda eliminatória do jogo da Liga dos Campeões, em que o Benfica jogou em Liverpool, que tive oportunidade de assistir àquele que se pode considerar o ícone desta faculdade, tal qual o Che Guevara está para a Revolução!
A imagem, em “superslowmotion”, de um jogador a ser substituído, a lançar o meteorito pelo nariz, realçou de maneira inequívoca, a dificuldade e simultaneamente a simplicidade de tal acto!

Da beleza do mesmo, já não me apetece falar…

quarta-feira, 8 de março de 2006

INSÓNIA

Fábrica de ideias…

terça-feira, 7 de março de 2006

clube beretta 2000 - os diários


(have love will travel - the black keys)

Fornos, 08 de Março de 2006.

... e em tudo havia uma só vertigem, um só propósito, uma ríspida mas assente impassibilidade. Havia um só domingo para fazer rebentar todo o metal e depois fugir-se a toda a velocidade. Seria obra para palavras nenhumas, obra para se cuspir fogo brotando a pólvora, obra intocada pela piedade ou pela comiseração, apenas dedicada ao nosso espanto e à incredulidade.
No fim deste destempero, do vazio em que é difícil de acreditar, houve no sol um brilho diferente, um acréscimo ignóbil aos factos coleccionados pelo mundo. Sim, seguramente... não fora um domingo qualquer...

clube beretta 2000 - os diários

lulas grelhadas logo batatas cozidas

Há uma clara vantagem ao almoço: a de se fazerem acompanhar sempre as lulas grelhadas com batatas cozidas. Por muita que seja a tua fome e por muito que se coma, elas nunca chegam a carregar no estômago, demorando aquelas eternidades gástricas que sempre acontecem aos almoços pesados, servidos por carne mal passada enrolada nos fritos indigestos. Assim, por sugestão minha e apesar da extensa escolha de carnes e peixes disponibilizada, termos todos alinhado pelas batatas e as lulas no grelhador – ainda que elas nos possam saber bem melhor pelo verão! – fora a melhor opção de todos, atentos os desenvolvimentos que seguidamente, bem nutridos mas perfeitamente maleáveis e escorreitos de movimentos, pretendíamos desencadear ao longo da estrada nacional 109 e ligação à A25, na expectativa apenas que o aguardado rodopio domingueiro e automóvel, se tornasse visível na distância.
Acresce que, sendo todos pessoas de educação humilde mas esmera, não houve lugar a qualquer sofreguidão, qualquer palavrear de boca cheia durante a refeição, todos deglutindo com parcimónia – fazendo adequado uso de faca e garfo – esses bichos estranhos e viscosos, que nos levantam a pergunta sobre os universos paralelos concebidos e frequentados por Deus, para que um dia ousasse neste, a admissão de tais criaturas. Para mim – como creio, para todos! – estando infinitamente longe de ser Deus e dos porquês que envolvem toda a sua criação, o tempero e o grelhador continua a ser o único e previsível destino desses animais esquisitos, que com propriedade se qualificam como nem sendo verdadeiramente carne, nem sendo adequadamente peixe. De uma forma muito térrea poderia até ser dito a propósito deles, que o seu único deus criador habitando as redondezas, seria precisamente Asdrubalino da Feijoca que no seu tempero e assadura, os elevava à categoria do sagrado e do divino.
O alfredo da tijuca é que, pelo tempo que demorara o almoço, não largara mão da ak-47, apesar das nossas sucessivas insistências para a alcançarmos e darmo-nos conta dessa áurea matraqueadora que envolve tais armas de assalto, pegando nela e puxando para trás, pelo menos uma vez, a respectiva culatra. Evidentemente que tal só poderia ser feito se tivéssemos a ak-47 nas mãos, o que sistematicamente nos era recusado pelo alfredo da tijuca, que para mais adoptara o quase silêncio e uma certa sobranceria como postura convivencial, não se mostrando tal éticamente correcto, face á tolerância e à liberalidade por todos nós demonstrada quando considerado o facto de termos permitido a sua participação no Clube Beretta 2000, sem que tivesse preenchido cabalmente os requisitos para tanto. Para mim, não era seguramente a circunstância de o alfredo da tijuca arranjar Kalashnikovs na Ucrânia que iria fazer cessar aquela acumulação de pontos que lhe garantia para já e por troca, uma porrada de ciganos. Por mim e perante tal postura, essa contabilidade e acumulação prosseguia.
Porque assim persistia, estranhamente, esteve a arma de assalto encostada à cadeira desse nosso convidado especial, apoiada sobre a coronha, sem que ninguém ousasse tocar, permanecendo perfeitamente visível a todos os presentes àquela hora pelo “O Tasco”, comessem eles lulas grelhadas ou enguias à espanhola. Nenhum melindre ou sobressalto ocorreu. Não há dúvida de que à mesa, sempre o propósito é o do armistício ou o da trégua, nunca o do confronto, ainda que à nossa frente, ao serviço da nossa faca e do nosso garfo, sejam criaturas estranhas o alimento ser subtraído a Deus e à criação.
Eram pois chegadas as horas... Das lulas, nem no prato nem já no estômago havia sinal e foi com a agilidade e a rapidez esperada que depois das contas e da gorjeta, todos saímos... O domingo ampliava o máximo de perfeição que se conhece a qualquer domingo. Sobretudo, porque era convidativo no conforto ameno que o sol propiciava e porque dessa maneira, permanecia favorável aos propósitos por nós delineados, já que nenhuma dúvida existia pelos quilómetros adiante, fosse qual fosse a direcção que pensássemos, que se alinhava um único congestionamento e pior, existia uma única e estreita ideia por milhares de cabeças, repercutindo em uníssono a mesma intenção: a de se fazerem chegar ao Furadouro às manadas, presas ao aconchego automóvel, ao turpor das digestões difíceis e à humidade dos meses que agora se fazia soltar dos tecidos e das roupas. O homem, o chefe de família ouviria adormecido o relato e assim, não importaria às famílias, que muito mais riqueza e diversidade existisse no mundo ... e esse, o seu verdadeiro e inconcebível engano! 2.10 am automatic The Black Keys Rubber Factory. Anunciei a tragédia, a catástrofe em prejuízo dessa estreiteza de perspectivas alinhada ao domingo em manadas, quando fiz girar a chave na ignição... Em sentido contrário, a velocidade proibitiva, afirmaríamos todo um outro lado, toda uma outra dimensão da inabarcável diversidade da existência... Os domingos não podem mais ocorrer, como se fossem uma coisa qualquer...

COMÉRCIO TRADICIONAL

Fui a uma loja de ferragens da nossa cidade, vulgo drogaria, com o propósito de fazer uma pequena compra. Enquanto a pessoa que simpaticamente me atendeu foi buscar o artigo que pedi, fixei o meu olhar num outro que não relaciono ao comércio a retalho de ferragens. Falo-vos de pensos higiénicos. Ou seja, no meio de toda aquela montra de artigos maioritariamente masculinos, dou por mim a olhar para pensos higiénicos. Ainda me interroguei se o fabricante dos pensos, começados por E e terminado em VAX, comercializariam também parafusos; porcas e berbequins, mas rapidamente cheguei à conclusão que não! Se assim não fosse, seria fácil imaginar, no acto de encomenda, o fornecedor sugerir algo do género:

“Ora muito bem, são 100 parafusos, mais 100 porcas e anilhas, 1 berbequim e leva também 10 caixas de pensos higiénicos, que estão agora em promoção!”

Ocorreu-me então a ideia que, muito provavelmente, a Casa Plácido tem o primeiro concorrente declarado na sua área de negócio, i.e., vender tudo (não lhes sei dizer qual o c.a.e.)! Tantos anos a vender tanta coisa, e tudo resulta afinal de uma leitura atenta do meio envolvente e consequente antecipação de uma realidade – as grandes superfícies – que, mais tarde ou mais cedo, lhe iria alterar o negócio.

Casa Plácido: Muito à Frente!

Fico na expectativa da baixa dos preços, especialmente nas luzes de Natal, provocada pelo aumento da concorrência. Afinal, esta última, serve sempre para beneficiar o consumidor.

sexta-feira, 3 de março de 2006

MOTEL

s.m. hotel situado à beira das vias de grande trânsito, especialmente equipado para receber automobilistas de passagem. (De moto + hotel) *

Como o país é pequeno, ninguém fica neste alojamentos quando viaja. Considero pois (eu e toda a gente) que a única funcionalidade destes, aqui em Portugal, é garantir uma cama a quem quer praticar sexo!

Permitam-me então uma pequena actualização nacional ao seu significado:

s.m. hotel situado à beira das vias de grande trânsito, especialmente equipado para receber casais de passagem (De sexo + hotel)

A reforçar esta nova terminologia proposta, acrescento que surgiram no centro da cidade, placas a evidenciar a presença de uma destas unidades nas redondezas. Bem vistas as coisas, nenhuma via de grande trânsito atravessa o centro da cidade, mas também, não é para isso que as placas ali estão…
Só estranhei não encontrar nenhuma na zona do castelo!

* In dicionários Porto Editora - 6ª edição

quinta-feira, 2 de março de 2006

Super-heróis – ainda existem?

Hoje fui surpreendido com a notícia que tinham sido distribuídas pelas ruas da Feira, folhas onde alegadamente se revelavam situações menos correctas numa empresa municipal. (O modus operandis utilizado recordou-me uma situação idêntica em vésperas de eleições autárquicas, em que se denunciavam circunstancias pouco claras na gestão da Junta Feirense.)

Em conversa de café, discutia-se a identidade de misterioso cidadão. Quem seria? Imaginava-se um vulto em cima de um prédio, oculto na sombra da noite, observando. Denunciaria todas as situações obscuras, fazendo justiça pelas próprias mãos – utilizando neste caso uma folha A4. Seria um Super-Herói? Viveria ele na clandestinidade, procurando a justiça a todo o custo? Mas porquê viver na clandestinidade se vivemos num país de liberdade?

Esta visão romântica do Super-Herói Feirense deixou-me preocupado. Por vezes os nossos políticos falam em défice de liberdade (a verdade é que falam mais vezes no défice do orçamento, mas como há vida para além do défice…). Penso muitas vezes que é um artifício linguístico utilizado para exacerbar determinada ideia que pretendem transmitir. Mas será que é isso que se passa na realidade? Uns utilizam folhas A4 que espalham pela cidade na calada da noite, enquanto outros escrevem em blogs?

Diálogo Publicitário






Mesmo o mais distraído dos leitores ter-se-á apercebido da publicidade que a MediaMarkt lançou pelas ruas da nossa cidade informando da abertura da sua loja em Aveiro e com o slogan “Eu é que não sou Parvo”.
Ok, também me parece estranho que façam publicidade a uma loja de Aveiro na nossa cidade, mas não quero ir por aí…

O que me pareceu mais estranho foi, pouco tempo depois, surgir outra publicidade espalhada pelos mupis da Feira, em que a Rádio Popular comunicava que “Parvo é quem chama os Portugueses de Parvo”. (Agradeço a preocupação da Rádio Popular com a defesa do bom-nome dos Portugueses)

Mas o que mais me surpreendeu, foi ler esta semana que a MediaMarkt tinha respondido informando que “Parvo é quem quer ser POPULAR sem ter preços baixos”.

Vou estar atento às cenas dos próximos capítulos.

MAPA MURO

“GALIZA LIVRE!”
(Travessa do Carregal – Porto)

“FALLÙJAH RESISTE!”
(Rua Álvares Cabral – Porto)

“SE QUISERES, PODEMOS REVISITAR A NORMANDIA!”
(Largo de Mompilher – Porto)

“SOMOS O QUE HACEMOS POR CAMBIAR LO QUE SOMOS”
(Rua Sacadura Cabral – Porto)

“GALIZA LUSÓFONA”
(Rua das Fontainhas – Porto)

“RECLAIM THE STREETS RECLAIM YOUR LIFE”
(Rua do Almada - Porto)

quarta-feira, 1 de março de 2006

HEDIONDO MANUEL BURGESSO

“Puse-o” – Pu-lo
ex: “O papel estava no chão e eu puse-o ali em cima...”
Nota: Um agradecimento especial ao Toni – arrumador de carros – pela dica!

“Adrega” - Calha
ex: “Se adrega de chover, estamos lixados!”

“Andáinde” – Venham
ex: "Andáinde daí! Dasse… nunca mais chegamos!"

“Houhe” – Sim / diz
ex: “Hediondo, tás aí?" "Houhe, que éhe!”

“Aquase” - Quase
ex: “Aquase que me miscava!”

“Vai vir” - Vem
ex: “Ele vai vir aí…”

“Bolina” – Velocidade
ex: “Binha com muita bolina, a modos que só parou no poste!”

“Veio-se p’ra mim” – Virou-se p'ra mim
ex: “Ele veio-se p’ra mim e empurrou-me.”

“Andorinho” – Vai-te embora
ex: “Andorinho daqui para fora!”

“Falar p'ra ela” – Namorar
ex: CB 2000

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Hi-TEC

É sempre com um misto de orgulho e estranheza que troco e-mails com a minha mãe.

A Tecnologia é fantástica!

domingo, 26 de fevereiro de 2006

CARNAVAL

Momento único de descompressão, de alegrias desmedidas e figuras tristes, passado ao som de cornetas, com serpentinas na cabeça e confetis nos olhos. Tudo isto incógnito, sobre um qualquer disfarce, para nos sentirmos mais à vontade com as asneiras que fazemos, ou dizemos.

Para estas emoções, ponho os óculos de sol, e vou para o meio da claque ver a bola!

sábado, 25 de fevereiro de 2006

ROCKY MARSIANO

Rocky Marsiano, também conhecido por D-Mars, é mais um dos alter-ego deste rapper, compositor, produtor e dj, que colabora paralelamente noutros projectos como os Micro ou Oficio. O seu último álbum - “The Pyramid Sessions” - abre a porta a uma nova fusão musical nacional, entre dois estilos tão diversos como são o jazz e o hip-hop. Uma brilhante compilação, em muito marcada pelo excelente tema: “Hold of me”.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

clube beretta 2000 - os diários











uma ak-47 no lugar dos dezassete...

Há coisas que não lembram nem ao diabo, nem ao seu primo ou ao enteado dele, muito menos àqueles que do seu juízo pretendem que se continue a fazer boa conta. É certo que o alfredo da tijuca andava, havia uns tempos, a acumular pontos para uma valente porrada de ciganos - esta coisa de invariavelmente se fazer acompanhar para acções do Clube Beretta com pistolas da concorrência, aborrecia-nos de uma forma efectiva e muito vincada – e também certo é, que nós do Clube Beretta, persistíamos numa intransigência, para alguns incompreensível, no que respeita aos seus pressupostos de integração: ser portador nominativo de uma pistola automática da marca Beretta, fosse ela uma Vertec 96 Inox como a minha, fosse a nova 90two de 9mm ou qualquer outra das restantes linhas compact ou subcompact. O imprescindível era aparecer com uma na mão! Por isso, tirar da gabardina aonde se escondia, uma metralhadora AK – 47, vulgo Kalaschnikov, de calibre 5.45mm, como fez o alfredo da tijuca assim que parqueamos o ford capri à sua frente, ainda para mais, sem qualquer espécie de aviso prévio e com uma naturalidade verdadeiramente absurda, do tipo, olha o que eu trago aqui!, não pode, nem deve ter outro qualificativo e atestado psiquiátrico que não o da pura loucura, o da insanidade, ou do sério e gravoso desacerto emocional. O gesto assaz natural e despreocupado com que o fez, empunhando aquela arma de guerra, teve o condão de me fazer baixar e juntar as mãos nervosas á coronha e o dedo ao gatilho da Vertec 96 e de pôr imediatamente em fuga daquele perímetro, o razz e o quim barbeiro. O biela foi o único que manteve a compostura e creio até, não se ter mexido nem um centímetro.
Foi por isso aos berrros de guarda essa merda pá! e de estás maluco (com a notória excepção do biela) que o alfredo da tijuca foi explicando a sua história, a história da ak-47 no lugar dos dezessete...
Aparentemente frustrado pela nossa sucessiva intransigência e na dificuldade de arranjar uma Beretta genuína e legítima quanto aos seu porte, decidira reactivar um antigo relacionamento estabelecido anos atrás, pelo correio, de um “penn friend” ucraniano, solicitando-lhe informações sobre como adquirir armamento de origem russa, uma vez que acreditava (e nisso acabara por ter inteira razão!) que em tais partes seriam menos as perguntas e menos a burocracia a superar, para se poder disparar um simples tiro. E fora pois a boa vontade dessa alma ucraniana prestável e caridosa, o eslavo que escreve inglês, que lhe fizera chegar da ucrânia, às peças, a dita arma, numa versão especialmente desenvolvida para o exército búlgaro, dentro de uma caixa sobre a qual se poderiam ler frases nas quais se agregavam tanto letras, como números (o alfredo da tijuca tem alguns talentos, mas o eslavo não é um deles). Aparentemente na ucrânia, disse por fim o alfredo da tijuca, comprar kalashnikovs é a mesma coisa que comprar caramelos e castanholas em espanha, no hay ningún, ningúníssimo problema!
Ora, ainda que fosse verdadeiro esse surrealismo de se remeter ou despachar pelo correio máquinas de guerra ucranianas (em versão búlgara) e de as mesmas cumprirem aí a mesma função que as castanholas na espanha (ou seja, fazer barulho!) persistia o problema habitual no que ao Clube Beretta e ao alfredo da tijuca dizia respeito, coisa que, como dissemos, lhe vinha até assegurando a possibilidade de um dia presenteá-lo com a tal porrada de ciganos. Mas havia um dado novo na equação: o esmero, empenho e a bondade do penn friend, cuja solidariedade e apego internacionalista não poderia ser por nós frustrada – afinal que melhor coisa no mundo haverá, num sentido estritamente económico, do que falar-se inglês e dedicar-se ao tráfico de armas? A esta mesma preocupação acrescia igualmente a clara percepção em todos, de que uma coisa seria fazer a alta velocidade o sentido Furadouro-Fornos num domingo solarengo empunhando pistolas automáticas, num ford capri (por muito cartaz balístico que se associe àquelas armas) outra coisa era fazer a mesma estrada, no mesmo carro, no mesmo domingo solarengo com as mesmas pistolas e respectiva fiabilidade balística, às quais se acresceria toda a história, toda a cultura e o poder matraqueador de uma ak – 47 em versão búlgara.... Seria qualquer coisa digna de se ouvir nos próprios Cárpartos, ainda que deles estejamos tão longe!
Eis pois o difícil dilema do Clube Beretta 2000, cuja resolução teria necessariamente de ser encontrada a tempo de se poderem comer descansados, umas lulas grelhadas no restaurante “O Tasco” no Furadouro. Afinal, era Domingo e o sol não cessava de brilhar....

«O PS JÁ ESTÁ!»

POLÉMICA NAS FARMÁCIAS COMUNAIS DE ROMA.

«L'invito alle clienti sugli scaffali: "E' ora di cambiare giocattolo".
«"Sex and the city" entra in farmacia. A Roma, vibratori in vendita tra aspirine e antibiotici.»
Uma poderosa e influente marca de preservativos celebrou com a empresa municipal que gere as farmácias comunais da capital italiana um contrato que prevê a publicidade e venda de vibradores nos ditos estabelecimentos.
A publicidade imposta pela empresa é bastante agressiva - nos cartazes vê-se uma mulher, com um ursinho de peluche nos braços, dizendo: «É tempo de mudar de brinquedos!».
Os farmacêuticos romanos estão indignados, pois entendem que tal representa um desprestígio para a profissão.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

impressões sobre munich, o filme


Embora na cena final – um desencantado e mal tratado parque infantil – apareçam ao fundo, por milagre gráfico, as torres gémeas, não creio que Munich possa constituir um exercício que procure uma explicação para a conjuntura política global que hoje vivemos. Creio que o filme se afirma como um documento que se confina ao conflito israelo-palestiniano, explorando, sobretudo, não só a possibilidade de equivalência moral entre os respectivos protagonistas, no que concerne às acções de resposta e contra-resposta que desenvolvem (juntar mossad e fatah no mesmo quarto na Grécia, não é senão a afirmação clara disso mesmo) mas igualmente, a afectação pessoal que as mesmas acções implicam no carácter individual, pessoal, daqueles que directamente as levam a cabo. É essa a história de Avner (eric bana) alguém que claramente percebe a necessidade premente de realizar o tipo de retaliação a que inapelavelmente se dedica, para no decurso da mesma, ir percebendo que ela persistirá necessariamente, sacrificando-o a ele mesmo e à própria família em nome de uma ideia (exactamente equivalente nos palestinianos) de uma cultura e de uma história, que apenas se tornará substantiva aquando da realização plena de um desses dois Estados, que ambicionam um único território. E nesse propósito compressor, o parque infantil (o território) terá sempre o aspecto retorcido e abandonado da cena final, estabelecendo uma visão absolutamente pessismista sobre aquilo que o futuro reserva.

BOOZOO BAJOU

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

UMA SITUAÇÃO A REVER














Rua Comendador Sá Couto - SMF
Apetece-me dizer: Deixem atravessar a árvore!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

clube beretta 2000 - os diários

CÃO ESCURO – a indisposição

Não estava bem disposto CÃO ESCURO. O tom da música – em excesso de decibeis – não nos pareceu nada convidativo quando, atrás de nós, a porta se fechou. Creio que era “relationship of command” dos At the Drive-In aquilo que ferozmente batalhava as colunas. Lembro-me que fora recomendação do quim barbeiro, quando por coincidência nos havíamos todos encontrado na Fnac do GaiaShopping (o quim barbeiro é um melómano bem documentado sobre o punk-rock e eu próprio tenho alguma coisa dos The Hives por sugestão sua). Esse entusiasmo do quim barbeiro pelo punk-rock obriga-nos aliás, a particulares cuidados sempre que se trata de rapar ou de dar um jeito na caraminhola: nunca pôr os pés na barbearia de Fornos, quando haja um pouco mais de entusiasmo com algum novo grupo Punk-rock. O quim, conhecendo e estando atento aos fundamentos estéticos em que se assenta a aparência visual de cada uma das caraminholas das redondezas (e isso incluí rapaziada nova, vinda do Couto de Cucujães) fica sempre demasiado agitado com as tesouras nos dedos...De qualquer maneira, CÃO ESCURO sentara-se novamente no sofá, de onde provavelmente saíra para nos abrir a porta e permanecia mudo. Eu entretanto confirmava que era “relationship of command” aquilo que continuava a manifestar-se de forma demasiado saliente nas colunas (“arcarsenal” a certa altura tornou-se mesmo insuportável) mas permaneci sentado no sofá. O quim barbeiro é que ia demonstrando algum entusiasmo pela gritaria absolutamente louca com que Cedric Bixler finalizava “arcarsenal”. Eu achava que tudo na música era bom para acabar de forma tão primitiva e ensurdecedora, mas continuei ali, sem abrir a boca... até que CÃO ESCURO falou. A início ficou-se por considerações de circunstância, muito pouco abonatórias e muito pouco relevantes. Se calhar, disse CÃO ESCURO, não teria sido o melhor dia para nos mostrarmos pelo Furadouro; que não acreditava que também nós, tivéssemos dado um contributo para atravancar de automóveis o enfado de domingo dos seus ocupantes, os gordos de mercedes, os entediados de vinho, que acham que o furadouro é bom para se distraírem da mulher e da sogra, ouvindo relatos e comentários da bola. CÃO ESCURO disse por esta ocasião, para ele mesmo, num tom de desespero: “Furadouro, a meca da peregrinação do tédio de gente e animais, ouvindo relatos, ressoando vidros de pés sujos e descalços.” Depois, em tom provocatório, perguntou se também nós não queríamos passar a tarde a fazer uns castelos de areia. Rimo-nos, e eu falei-lhe do ford capri, mas isso não o entusiasmou, muito embora o semblante se apresentasse um pouco mais pacificado. Por fim vomitou: “Caro quim, caro X. bem sabeis que muito gostava deste horizonte alargado sobre o mar, dessa calma profunda das tardes de inverno, ainda que fosse grosseiro e impiedoso o vento e o mar não exibisse outra coisa senão a violência que não disputamos. Não havia gente, nem haviam carros. Se alguma coisa acontecesse (e algumas graves e demasiado tristes sempre acontecem em sítios como este) nunca era para se saber ao certo, no pormenor, o que quer que se tenha passado – de tudo, ficava sempre algo para ser dito e o que havia para ser dito, também nunca era grande coisa. Aqui, éramos muito poucos para preencher todo o novelo das coisas tristes ou dos crimes, das razões para se amar ou morrer. E nesses poucos que éramos, acabava sempre por ficar uma versão encantada daquilo que não tínhamos chegado a perceber ou a conhecer. Só a praia sabia a verdadeira história das almas, que o mar passara a murmurar. Hoje, sendo domingo, esta terra, este pardieiro da construção civil, arrasta demasiados carros e o demasiado suor das pessoas. A calma e o silêncio deixou de acontecer neste lugar, por levarem sempre demasiados encontrões. Mas, acreditem, hoje não é isso que lamento...”

clube beretta 2000 - os diários

CÃO ESCURO – o desapontamento

O colectivo At the Drive-in e Cedric Bixler avançavam com “mannequim republic”, o quim barbeiro abria e fechava ritmadamente os dedos, pensando nas fartas caraminholas da Barbearia de Fornos, mas faltando-lhe as tesouras, e eu esperava que quando me pusesse dali para fora (e pelo tom da conversa não faltaria muito para que tal acontecesse) fosse o motor do capri aquilo que imediatamente faria soar, após rodar uma só vez as chaves da ignição. CÃO ESCURO, no entanto ia prosseguindo em tom de lamento: “vocês sabem que sempre acreditei que uma determinada ordem política, poderia ser deduzida de princípios abstractos, racionalmente válidos, supondo a ideia de bondade inerente à natureza humana, á qual aqueles princípios se imporiam. Assim acreditando, também sempre constatei a absoluta incapacidade da sociedade em geral em elevar-se ao nível daqueles padrões racionais abstractamente percebidos, em razão da falta de conhecimentos, da ignorância ou incompreensão ou da obsolescência das instituições económicas, políticas e socias. Por isso sempre confiei no Estado, na sua capacidade reformadora e modeladora em prol desse colectivo social, na sua vertente educacional e nos métodos coercitivos que usa para remediar tais defeitos. Porém, hoje acordei com uma ressaca ideológica profunda que me traz de sobremaneira indisposto. Olhei para mim mesmo, para aquilo que adquiri, para aquilo que possuo e nada disso veio em razão daquela racionalidade posta no intervencionismo estatal que sempre defendi. Tudo o que tenho (e é muito!) alcancei-o como feroz especulador bolsista, fazendo deslocar informaticamente capital pelo globo, em função da remuneração monetária que para ele, poderia adquirir. Fi-lo aqui mesmo, junto ao computador, na mais absoluta expressão capitalista e individual e estando-me perfeitamente nas tintas, para aquilo que poderíamos alcançar colectivamente como povo, como social democracia progressista ou mesmo como revolução... ”
A partir daqui, quer eu quer o quim barbeiro, não quisemos ouvir mais. Deixamos CÃO ESCURO, suspenso, nessa sua constatação de antigo revolucionário, de intelectual de esquerda, sendento e desinteressado educador das massas, que conclui que toda essa retórica, ou do socialismo moderno e científico, ou da social-democracia progressista, estava a anos-luz do seu exemplo de vida, que em momento algum prescindiu de todas as benesses e mordomias culturais e económicas com que o capitalismo puro e duro lhe poderia presentear. E isso, essa contradição nos termos é que fora para muitos de nós (entre os quais os do Clube Beretta) a verdadeira inspiração... Constatar que nunca ninguém faria aquilo que incendiariamente proclamava, ainda que tais proclamações tivessem presentemente uma vida constitucional e jurídica! O nosso propósito sempre derivou daí, de observar alguém ideologicamente comprometido com algo que não existia e cuja prática contradizia em todos os aspectos o seu manifesto, a sua cartilha. Por isso quando nos viemos embora, não lamentamos o desapontamento de CÃO ESCURO com ele mesmo, nem o facto de, naturalmente, o seu ridículo não nos poder continuar a servir de inspiração. O Capri pegara à primeira e era “die all right!” coincidentemente dos “The Hives” que soava na radiola, o que parecia muito apropriado, atento o congestionamento domingueiro estúpido, que continuava a atravancar o sentido do Furadouro. Pensei deste modo: fazer o sentido inverso num capri a alta velocidade e de arma em punho, poderia ser deveras interessante... Este amor do quim barbeiro pelo punk-rock é que ainda há-de prejudicar a sua boa reputação junto da clientela e das caraminholas da redondeza! Não há forma de se calar e de se mostrar quedo... "Hey! I've got a message, and tonight and Im gonna send it..."

domingo, 19 de fevereiro de 2006

FALTA-LHES A LUZ

Invariavelmente, nesta cidade, falta a luz de quando em vez… aliás, de quando em vez não:

FALTA POR SISTEMA!!!!

Uma chuvita ou uma ventania mais intensa e ficamos sem energia. E é assim, desde que me conheço como gente! Aparentemente o problema é um posto de transformação em Ovar que nos fornece a energia e, ao longo de sensivelmente 25 anos, nada foi feito para alterar este estado de coisas.
Recordo-me que esta situação, além dos habituais constrangimentos, já nos garantiu uma vergonha a nível nacional. Há coisa de 2/3 anos, quando a Ant3na, em parceria com a CMF, organizou a Quinta dos Portugueses, em directo a partir do cinema local, o tempo estava um bocado complicado e daí resultou que, na primeira música da primeira banda, a energia falhou! E todo o país soube disso….
Na altura apenas um gerador veio resolver a situação, uma vez que a luz só voltou daí por 5 horas. Enfim, uma vergonha que pelos vistos para os órgãos locais e EDP, como nada foi feito, deve ser considerado um motivo de orgulho!?
Faço o meu protesto e deixem-me ficar por aqui... é que começou a chover novamente!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Monumentos



Serão os Shopings de hoje os monumentos de amanhã?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

portugal, the man


















... sonhei que tinha futuro e música e que havia tundra e pouco gelo sobre a terra. Sonhei que haviam palavras, conjugações descobertas, sonoridades que depois de tentadas esmorecem e perdem vontade, o ser que empurrra toda a motivação. No vazio, nada trouxeram, porque não nos puseram assim, seguros na fé, para sempre tentarmos mais adiante, mais longe de nós e dos outros, desconhecendo... Sim eu sonhei e tinha esperança. E encontrei da terra vinda do Alasca, um nome que não conhecia e não mais abandonei....

Portugal, THE MAN (mais)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

CONTAS, CÁLCULOS e PREVISÕES.

Embora não seja propriamente um "entendido" em assuntos económicos, não podia, nem queria, deixar de assinalar, a propósito das contas da Segurança Social, o seguinte:
(i) os cálculos de Bagão Félix bateram certo, dir-se-ia que «quase ao cêntimo»; e
(ii) as previsões «catastrofistas» de Constâncio estavam profundamente erradas.
E andamos nós a pagar dinheiro a este gajo!!!

a liberdade de expressão

Independentemente da visão que nos possa merecer a publicação de caricaturas retratando o profeta Maomet (e não de proeminentes figures do hamas, como havia referido em post anterior) existem factos que deverão merecer a nossa consideração: toda esta postura do radicalismo árabe contra a livre expressão artistica ou de opinião, não começou por estes dias. Para que conste, retrocedamos: 1. publicação da obra “Versos Satânicos” de Salman Rushdie e respectiva condenação à morte por fatwa (que se mantém!) decretada pelo anterior líder espiritual iraniano Ayatollah Khomeyni sendo que o prémio pela sua morte vale, presentemente, cerca de 2,5 milhões de dólares e o mesmo encontra-se impedido de viajar em várias companhias aéreas. 2. Ataque e tentativa de assassínio no Egipto a Naguib Mahfouz, vencedor do prémio nobel da literatura em 1994, por alegadamente ofender o Islão numa das suas obras. A referida tentativa de assassinato, tendo-o colocado às portas da morte, afectou a sua capacidade de escrever; 3. Assassínio no Cairo de Farag Fouda, escritor egípcio, por alegada apostasia ao Islão; 4. Assassínio na Holanda do cineasta Theo van Gogh por ter filmado mulheres muçulmanas, de corpo inteiro, sem que estivessem cobertas por véu ou burqa. Na sequência deste mesmo assassínio, o filme que terá constituído a razão para a morte, foi retirado do festival de cinema de Roterdão e causou enorme protestos, precisamente na Dinamarca, aquando da sua exibição naquele país. 4. A publicação em Setembro dos cartoons, implicou até ao presente momento, o fecho de publicações e condenação ou internamento de alguns dos seus directores por blasfémia (malásia, filipinas, yeman, argélia, egipto) bem como a existência de ameaças de morte generalizadas a todos aqueles que publicaram ou desenharam os referidos cartoons, seja na dinamarca, áfrica do sul, noruega, frança, itália entre outros. E agora?
Nota: para que nenhumas dúvidas resultem de que toda esta questão dos cartoons é sobretudo uma orquestração, convém ter em atenção a informação de que alguns imãns acrescentaram aos 12 desenhos efectivamente publicados, outros que não o foram e alguns mesmo, que nenhuma relação apresentam com o islão e com o profeta maomet (ver).

SEMPRE «A SUBIR» ...!


Depois de ter prefaciado Garcia Pereira ... Freitas do Amaral, não pára de surpreender!
A propósito da "querela civilizacional" espoletada pela publicação dos cartoons, e após as polémicas afirmações que sobre este tema produziu, é elogiado, nem mais nem menos, pelo Embaixador do Irão, o tal que tem dúvidas sobre a ocorrência do Holocausto e sobre o Extermínio Nazi!