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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

um presidente diferente, um mundo igual

"Barack Obama has won the presidency of the United States of America, and on this occasion, I would like to send several messages.

First, a message of congratulations to the Muslim Ummah on the American people's admission of defeat in Iraq. Although the evidence of America's defeat in Iraq appeared years ago, Bush and his administration continued to be stubborn and deny the brilliant midday sun. If Bush has achieved anything, it is in his transfer of America's disaster and predicament to his successor. But the American people, by electing Obama, declared its anxiety and apprehension about the future towards which the policy of the likes of Bush is leading it, and so it decided to support someone calling for withdrawal from Iraq.

The second of these messages is to the new president of the United States. I tell him: you have reached the position of president, and a heavy legacy of failure and crimes awaits you. A failure in Iraq to which you have admitted, and a failure in Afghanistan to which the commanders of your army have admitted. The other thing to which I want to bring your attention is that what you've announced about how you're going to reach an understanding with Iran and pull your troops out of Iraq to send them to Afghanistan is a policy which was destined for failure before it was born. It appears that you don't know anything about the Muslim Ummah and its history, and the fate of the traitors who cooperated with the invaders against it, and don't know anything about the history of Afghanistan and its free and defiant Muslim people. And if you still want to be stubborn about America's failure in Afghanistan, then remember the fate of Bush and Pervez Musharraf, and the fate of the Soviets and British before them. And be aware that the dogs of Afghanistan have found the flesh of your soldiers to be delicious, so send thousands after thousands to them.

As for the crimes of America which await you, it appears that you continue to be captive to the same criminal American mentality towards the world and towards the Muslims. The Muslim Ummah received with extreme bitterness your hypocritical statements to and stances towards Israel, which confirmed to the Ummah that you have chosen a stance of hostility to Islam and Muslims.

You represent the direct opposite of honorable black Americans like Malik al-Shabazz, or Malcolm X (may Allah have mercy on him). You were born to a Muslim father, but you chose to stand in the ranks of the enemies of the Muslims, and pray the prayer of the Jews, although you claim to be Christian, in order to climb the rungs of leadership in America. And so you promised to back Israel, and you threatened to strike the tribal regions in Pakistan, and to send thousands more troops to Afghanistan, in order for the crimes of the American Crusade in it to continue. And last Monday, your aircraft killed 40 Afghan Muslims at a wedding party in Kandahar. As for Malik al-Shabazz (may Allah have mercy on him), he was born to a black pastor killed by white bigots, but Allah favored him with guidance to Islam, and so he prided himself on his fraternity with the Muslims, and he condemned the crimes of the Crusader West against the weak and oppressed, and he declared his support for peoples resisting American occupation, and he spoke about the worldwide revolution against the Western power structure.

That's why it wasn't strange that Malik al-Shabazz (may Allah have mercy on him) was killed, while you have climbed the rungs of the presidency to take over the leadership of the greatest criminal force in the history of mankind and the leadership of the most violent Crusade ever against the Muslims. And in you and in Colin Powell, Rice and your likes, the words of Malcolm X (may Allah have mercy on him) concerning "House Negroes" are confirmed.
You also must appreciate, as you take over the presidency of America during its Crusade against Islam and Muslims, that you are neither facing individuals nor organizations, but are facing a Jihadi awakening and renaissance which is shaking the pillars of the entire Islamic world; and this is the fact which you and your government and country refuse to recognize and pretend not to see.

As for the third message, it is to the Muslim Ummah. I tell it: America, the criminal, trespassing Crusader, continues to be the same as ever, so we must continue to harm it, in order for it to come to its senses, because its criminal, expansionist Crusader project in your lands has only been neutralized by the sacrifices of your sons, the Mujahideen.

This, then, is the path, so stick to it."


Extracto da mensagem de al-zawahiri, dirigente da al-Qaeda, difundida hoje, dia 19 de Novembro de 2008, em sites islâmicos. Para um leitura completa, ler aqui.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

uma perspectiva sombria

Para John Mearsheimer a política das grandes nações é, invariavelmente, uma tragédia. Essa constatação é óbvia e não precisa Mearsheimer de recuar muito no tempo (e na história) para encontrar exemplos trágicos significativos, e globais. Mas o que motiva Mearsheimer, além das tragédias manifestas, é comprovar teoricamente que as mesmas acontecem, em momentos particulares da história, quando o enquadramento dos protagonistas globais, obedece a um conjunto de tendências e dados objectivos, cuja verificação conduz, invariavelmente, a um momento decisivo na história, o mesmo é dizer, um momento sempre infeliz e trágico.

Há um petição de princípio em Mearsheimer e que aqui se subscreve: todo o Estado é por essência predatório, ou seja, a lógica que o mesmo desenvolve na cena internacional, visa unicamente e em última análise, a maximização dos proveitos que o mesmo pode retirar da fraqueza ou debilidade internacional dos outros, procurando Mearsheimer igualmente demonstrar – o que aqui, por ora, é secundário – o modo pelo qual, todo o Estado o faz.

Estabelecida aquela petição de princípio que nos remete para uma visão REALISTA das relações internacionais (sobretudo fundamentadas por Hans Morgenthau, ou Henry Kissinger) importa pois convocar e descrever historicamente, todas aquelas situações, que sendo particulares mas manifestas, conduziram invariavelmente, a tragédias humanitárias. E elas são: as Guerras Napoleónicas, a Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial. E em todas estas circunstâncias absolutamente trágicas para o mundo, a situação internacional que lhe antecedia, era caracterizada pela polarização do poder, ou seja, nenhuma das grandes potências internacionais (França, Inglaterra, Rússia, Áustria-Hungria, Alemanha e a partir de determinado momento, Estados Unidos) possuía a capacidade económica e militar suficiente, para se impor a todas as demais, facto que acentuou a competição entre todas elas e consequentemente, o respectivo atrito internacional, com as consequências que todos, de resto, conhecemos.

Ainda seguindo Mearsheimer, a estas circunstâncias opõem-se aqueles outros momentos na história e nas relações internacionais, em que havia um dominador único – ou seja, um Estado capaz de se impor económica e militarmente, ao poder de todos os demais – sendo que tais momentos, corresponderam, invariavelmente e de igual modo, a períodos da história mundial de paz e/ou de desenvolvimento económico. Aqui Mearsheimer reporta-se à Inglaterra pós-Congresso de Viena, até à antecâmara da Primeira Guerra Mundial, e à disputa Estados-unidos, União-Soviética, após a Segunda Guerra Mundial, até ao 11 de Setembro. Esses outros períodos da História, são assim unipolares ou então bipolares, quanto a quem é internacionalmente dominante, por oposição àqueles outros polarizados, ou multipolares, que conduziram ás fatalidades históricas relatadas.

E um mundo multipolar é aquele que cada vez mais se adivinha, agora que Obama é o Presidente dos Estados Unidos da América. E essa multipolaridade não decorre apenas do crescente domínio regional exercido por Rússia, China ou Índia (e que se concentra num único espaço físico, o oriente). A multipolaridade de hoje, tem igualmente a ver com aquilo que poderá ser uma alteração de postura dos Estados Unidos da América no mundo, a pedido de todos os politicamente bem-pensantes e intencionados. A questão fundamental e sobre a qual pouca gente discorre, é que isso traz custos potencialmente tenebrosos para a humanidade, pois acentuará no futuro, a competição e o atrito por zonas de influência, uma vez que todos os restantes competidores internacionais, percebem que os Estados Unidos deixaram de demonstrar empenho e vontade política naquele mundo bipolar/unipolar que nos garantiu 64 anos de paz.

E para demonstrar os custos que essa retirada ou menor empenho dos Estados Unidos trará para a humanidade, basta fazer um simples exercício: a retirada anunciada por Obama do Iraque. A acontecer nos moldes anunciados – 16 meses – tal implica não só o reconhecimento do domínio regional no médio oriente do Irão, que procurará capitalizar em toda a medida e por todos os lados, esse ganho imprevisto, aprofundando uma parceria com a Rússia, destabilizando a Turquia, mas sobretudo dará um sinal tenebroso a Israel, de que politicamente conta apenas com ele próprio e terá de haver-se sozinho, com todos os seus antagonistas, nomeadamente aqueles que pretendem a sua irradicação do mapa. E isso é uma perspectiva trágica, que só de a assentar no papel, dá arrepios na espinha…

Os Estados Unidos são pois vector fundamental e talvez, o vector único para o mundo ocidental, na prevenção das tragédias futuras. E por isso Obama, depois da retórica sem dúvida brilhante que o pôs na Casa Branca, e depois do facto de o mundo o ter efusivamente celebrado, se pretende que assim continue a ser por muito tempo, não mudará uma vírgula naquilo que tem sido feito, ainda que encha a boca com a palavra mudança. E isso hoje, parece fundamental, para poupar o resto do mundo à sua própria tragédia.

Que Deus continue a abençoar a América.


"the tragedy of great power politics" por john mearsheimer, em versão portuguesa editado pela Gradiva, 20 euros mais caro do que pedir o livro pela Amazon.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

OBAMA E McCAIN NAO SAO OS ÚNICOS

Apesar de só se falar de Barack Obama e John McCain, existem mais 4 candidatos a Presidente dos Estados Unidos da América.
Sao eles:

Ralph Nader (independente e já um veterano nestas andancas)
Bob Barr (Libertarian Party)
Cynthia McKinney (Partido Os Verdes)
Chuck Baldwin (Constitutional Party)

domingo, 26 de outubro de 2008

do capitalismo

Não estou do lado dos que diabolizam o capitalismo. Pelo contrário, estou do lado daqueles que nele continuam a acreditar, apesar da crise. E por uma razão simples: apesar de toda a retórica incendiária sobre os especuladores, os banqueiros, as bolsas, o crédito e particularmente, os estados-unidos e os americanos, não há, da parte daqueles que assim vão ladrando e do barulho que produzem, qualquer proposta alternativa que substitua credivelmente, esta caravana que passa – e essa é, ainda e apenas, a do capitalismo e da livre iniciativa económica.

Tal contudo, não significa que não se devam retirar lições e proceder a ajustamentos, assim a crise o permita. E isso, sempre o capitalismo o percebeu. Quando Nelson Rockefeller pelas sucessivas aquisições, tornou o mercado num monopólio (o seu monopólio), prejudicando a livre iniciativa e os mecanismos necessários à livre formação do preço, logo o Estado interveio na regulamentação da respectiva actividade, introduzindo as alterações legislativas necessárias ao restabelecimento de um mercado atomizado. Bill Gates e a Microsoft foram, de resto, objecto de recente sanção económica, tendo por base aqueles mesmos princípios estabelecidos aquando da pujança económica de Rockefeller e distorção de mercado por ele produzida.

Isto para dizer, que, igualmente, o capitalismo e o mercado, saberão retirar as lições necessárias da presente crise. E essas lições serão retiradas, na medida em que haja a honestidade de não explicar a presente crise, com os fundamentos e as diatribes daqueles que ideologicamente, sempre lançaram os cães à economia de mercado e que se resumem a espumarem da boca, impropérios aos já ditos especuladores, banqueiros, bolsistas e neo-liberais. O curioso de tudo e que está muito além desse primarismo intelectual anti-capital, é o facto de o próprio liberalismo, enquanto escola económica, fornecer os elementos e enquadramentos necessários à crise.
Quem leia os clássicos liberais – e estou a falar de Adam Smith, David Ricardo ou David Hume e não de qualquer vulgar esquerdista contemporâneo, do bloco de esquerda ou do ps, que agora se arroga ao direito de ser também um Liberal – sabe que qualquer deles (os Liberais Históricos e não os da moda) reserva um papel ao Estado: o de ser regulamentador, o de criar os mecanismos legais ou económicos, que permitam a livre concorrência, a livre iniciativa e a livre formação de preços e nessa medida, permitam um mercado atomizado, longe das distorções e do irracionalismo económico. O Estado permitirá que seja o indivíduo e apenas ele, o verdadeiro protagonista da iniciativa económica. Por isso, a necessidade de regulamentação de que tanto se fala, remete-nos ainda e sempre, para os princípios liberais, cuja morte, por estes dias, todos anunciam.

Mais curioso ainda, é o facto de o próprio neo-liberalismo ter uma explicação, ou um princípio de explicação, para aquilo que presentemente vivemos: o facto de o JURO, durante anos a fio, se ter mantido a níveis historicamente baixos, e de tal ter permitido que muitos agentes económicos, se tornassem actores no mercado (global), sem que muitos deles tivessem a capacidade, o conhecimento e o domínio efectivo das matérias que constituíam a essência da respectiva actividade (para não dizer, a estrutura financeira). Esses mesmos protagonistas económicos, foram–se mantendo e tornando-se cada vez mais visíveis, porque aquilo que determinou ou esteve na base do desenvolvimento da respectiva actividade - a posssibilidade de acesso ao crédito barato - tornava tolerável a sua consideração como elemento económico racional. O crédito barato – porque o juro era artificialmente mantido pela intervenção dos Bancos Centrais e pelo domínio que os mesmos exerciam (e exercem) sobre o volume monetário em circulação – corroeu a própria credibilidade do mercado e a racionalidade suposta nos respectivos agentes, sem que em algum momento aquele juro reflectisse o conjunto de riscos económicos que ao longe se adensavam, à medida em que, mais e mais agentes e mecanismos descredibilizados tomavam o respectivo lugar na economia global.

De onde resulta a conclusão – já adiantada por alguns – que esta intervenção estadual, através das sua garantias e avais, vai permitir ainda que muitos que, comprovadamente, não deveriam ter-se estabelecido economicamente e que não foram objecto de "limpeza" por força da subida do juro, por aí irão manter-se, apesar da manifesta incapacidade no domínio da decisão económica e respectiva racionalidade.

Contudo, o capitalismo e o livre mercado, seguem dentro de momentos...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O MENINO GUERREIRO VOLTA A ATACAR 2



Já não sei se devo rir ou chorar.
De facto, já não sei se Portugal deve rir ou chorar.

Isto é pior que um gato, tem muito mais que 7 vidas...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

portugal, 27 de setembro de 2008

Presentemente, Leopoldo López é presidente da câmara de uma pequena cidade nos subúrbios de Caracas. Ele é trineto do primeiro presidente da República da Venezuela e uma das figuras da oposição Venezuelana, preparando-se para brevemente se candidatar à presidência da câmara de Caracas, em claro desafio a Chavez. Em recente entrevista à revista MONOCLE, Leopoldo López contabilizava em oito, as tentativas para o assassinar, uma das quais, o feriu com gravidade.

A "Human Rights Watch" acabou de denunciar publicamente, o assustador incremento dos sucessivos atropelos e atentados que o regime bolivariano de Chavez produz aos valores democráticos e às garantias individuais de liberdade e de expressão de pensamento, progressivamente esmagando os mecanismos que ainda vão impedindo, que a Venezuela se transforme num monólito autocrático, lobotimizado, adoradora do grande chefe.

Dando razão às denúncias, Chavez sumariamente expulsou os representantes da "Human Rigths Watch" e encerrou as suas instalações em Caracas, justificando-se com a conspiração internacional do costume...

Chavez chega a Portugal no dia 27 de Setembro, e assim como fizeram a Fidel, também lhe garantirão uma passadeira vermelha à sua chegada e aguardarão extasiados, por um número qualquer que permita um pouco de entretenimento à hora dos Telejornais. As palmadinhas nas costas, a cumplicidade ideológica e petrolífera, garantirão ao convidado ditador, uma estadia agradável entre os seus apaniguados, ao sol de Lisboa, alguns dos quais se orgulham de ser um símbolo da luta pela Democracia e pela Liberdade, e que nesse seu actual delírio de cumplicidades políticas, secretamente aguarda que seja Obama a sarar as feridas do mundo (se calhar, à boa maneira bolivariana...).

Em Portugal, os arautos da Liberdade contra o Fascismo, os defensores da Democracia contra o obscurantismo salazarento, acham piada e divertem-se com Chavez, inclusivamente, reconhecem-lhe méritos e ele sorri, citando-os em programas de educação para as massas e retribuindo em piadas e provavelmente em vernáculo, a tão calorosa recepção de Lisboa.

Os valores que saíram e saem repetidamente da boca daqueles que agora em Lisboa, se sentam com Chavez e lhe dão computadores, e sobretudo o povo da Venezuela e a sua liberdade, esses vão ter que esperar ...

Agora o vernáculo é meu: Vayam al c***** !

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

the maccain endorsement


Já aqui dei nota do conforto existente no resultado que surja nas eleições norte-americanas, para alguém politica e ideológicamente de direita. A terra do tio sam, é um maná de lições e de perspectivas de capitalismo, quer nos seus ciclos expansionistas, que nas suas contracturas económicas, quer na sua agenda de temas políticos. E, independentemente de quem ocupe o púlpito em Washington, assim continuará a ser, graças a Deus! Pelo menos aqueles de direita, não terão de explicar porque é que num momento, dão palmadinhas nas costas ao liberal Obama, e no momento imediatamente seguinte, acham muito bem tudo aquilo que é feito pelo marxista Chavez. Para mim e salvo melhor opinião, a única coisa que estes homens têm em comum será o facto de acreditarem feverosamente em Deus (o que, na minha perspectiva, não é despiciendo!) e agregarem à sua volta, a senilidade visível de alguns políticos cá do burgo, ou a orfandade ideológica de outros dos seus opinion-makers, que os consideram a ambos (Chavez e Obama) o futuro progressista do mundo.

Eu simplesmente, estarreço e citando bolivarianos que são muito bem quistos por estas bandas, digo-lhes também, que vão ao c***** (em espanhol vernáculo)!

Isto dito, porquê MacCain? Sobretudo pelo facto de revelar maior sensatez e realismo no que à política externa diz respeito. Não valerá muito falar apenas das preocupações económicas de cada candidato, porque lido o programa de Obama, ele mantém aprumo nas suas convicções liberais, defendendo os seguros de saúde e não um sistema nacional, uma maior exigência nas escolas públicas (ele produto elitista das Universidades privadas da Ivy League), a baixa de impostos, e não será verdadeiramente por aí que as diferenças serão decisivas.

Já no que respeita à política externa, as diferenças são muito mais importantes. E começando pela economia, Obama propõe a revisão da política fiscal das empresas multinacionais, bem como do acordo NAFTA, propostas essas que são claramente no sentido de proteger a indústria norte-americana da concorrência, augurando-se assim a possibilidade de abrir uma nova guerra comercial entre blocos econonómicos e sobretudo, e consequentemente, prejudicando o acesso dos mercados emergentes e mais emprobrecidos, ao mercado norte-americano e outros. Esta, a medida que primeiramente me causa estranheza, porque efectivamente, constituí a nível internacional, um retrocesso na perspectiva liberal construída pelo partido democrático ao longo de décadas e cujo último pilar, assenta no esforço de Bill Clinton em permitir o acesso da China ao mercado global e a revisão dos acordos GATT, pelo respectivo empenho na emergência da Organização Mundial do Comércio.

As propostas ao nível económico de Obama são assim, mais que susceptíveis de abrir uma nova guerra comercial no mundo, sobretudo em prejuízo dos países emergentes e daqueles estruturalmente agrícolas.

Outra das questões internacionais já aqui debatidas e que claramente me parecem pouco estruturadas, têm a ver com o posicionamento político que Obama já assumiu anteriormente, sobre o papel dos EUA no mundo, muito embora o mesmo tenha tentado esbater mais recentemente, muitas dessa suas posições: veja-se o caso da retirada do Iraque, primeiro incondicional, depois objecto de discussão com as patentes militares (por isso o acusam de ser flip-flopper em matéria externa!). O que me parece evidente é o vazio daquilo que pensa, que esconde em frases hollywoodescas, como aquelas proferidas em Berlim, frente a esquerdistas extasiados e movidos de esperança, nos termos das quais, "(...) The walls between old allies on either side of the Atlantic cannot stand. The walls between the countries with the most and those with the least cannot stand. The walls between races and tribes; natives and immigrants; Christian and Muslim and Jew cannot stand. These now are the walls we must tear down". Bonito sem dúvida, mas inconsequente, porque de tais boas intenções está o mundo cheio e palavras não chegam para que aquelas paredes caiam (não deixa de ser curioso que Obama faça explicita referência a Reagan).

Por isso me parece MacCain, alguém menos espectacular, menos flashy, menos trendy, mas com outro tipo de reserva moral e política, que Obama não consegue demonstrar (apesar da respectiva genialidade retórica e estrelas de Hollywood) reservas essas, que num mundo com grandes desafios, serão fundamentais para continuar a manter os EUA como país essencial à paz e ao progresso económico do mundo. E não me venham com o argumento de que o Senador do Arizona e antigo prisioneiro de guerra, representa um novo modelo de fascismo americano! Quem diz isso, não conhece a realidade política norte-americana e do que ela se faz e depende. Algum político, em sã consciência, vai dar um pontapé nos eleitores envangélicos, que representam mais de 25% da população norte-americana? Atacar isso é atacar por exemplo toda a substância ideológica e política de Martin Luther King Jr.! Ora, ninguém é estúpido e os Democratas muito menos, sobretudo porque todos acreditam e pretendem que Deus, em cima de burros ou elefantes, continue a abençoar a América... E isso terá sempre o meu voto!

May God continue to bless America!

PS: a visões aqui explicitadas são responsabilidade exclusiva do seu autor e não correspondem a uma visão do blog feirafranca, conforme nele se torna manifesto!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

religião vs.estado vs. razão


Woodrow Wilson foi o 28.º Presidente dos Estados Unidos da América e aquele que pela primeira vez, conseguiu quebrar o tradicional isolacionismo norte-americano em termos de política internacional, envolvendo a partir de 1916 o seu país na Primeira Guerra Mundial, com o envio para a Europa de um corpo expedicionário, que acabou por decidir a favor da “Entente Cordiale” o destino da Guerra. Woodrow Wilson era Democrata e a ele se deve um primeiro vislumbre da arquitectura internacional que passou a ser a tradição do seu partido: o capitalismo promove a democracia, logo as nações democratas (e capitalistas) promovem a paz no mundo, logo, todo o mundo deve ser capitalista.

É assim Woodrow Wilson, que apoiado nesse adágio e num entendimento conhecido como “excepcionalismo norte-americano” – por contraponto à RealPolitik europeia, à sua “raison d´etat” e á diplomacia secreta em que sempre se sustentou - lança no final da Primeira Guerra aquilo que ficou historicamente conhecido como “Os 14 Pontos”, dos quais relevam precisamente, o comércio livre, a liberdade dos mares, e o desarmamento. Tudo isto seria acautelado por uma organização internacional que, literalmente, passou à história como “Sociedade das Nações” e que tinha por bandeira incondicional, a renúncia ao conflito armado, por parte dos Estados que a constituíssem e a aceitação da sua arbitragem nas disputas internacionais, que a partir de 1919 pudessem surgir.

Não creio que valha a pena explicitar, historicamente, tudo aquilo que se seguiu àquele pacote Wilsoniano bem intencionado, consagrado na Sociedade das Nações, bem como referir as sequelas que muitos sofreram até 1989 …

A convocação do que se passava no mundo hà 90 anos atrás, serve aqui para explicitar algumas coisas relativamente a Obama e às expectativas que em torno dele são geradas, a propósito das transformações que, supostamente, o mesmo trará à postura dos Estados Unidos no mundo – há quem acredite, sobretudo na Europa, que a sua eleição trará candura ao mundo e que todas as suas feridas serão por ele saradas … E há quem assim acredite, porque igualmente acredita, que essa candura internacionalista, foi desapossada do mundo por W. Bush…

Caríssimos,

O mundo nunca foi cândido!

E muito menos o será, à medida que as águas se agitam e novos protagonistas se apresentam na cena internacional (Rússia, China). A ideia de que Obama tornará o ar mais respirável é simultaneamante estúpida e perigosa (e tenho certeza de que nem ele mesmo acredita em tal capacidade, pois assim estaríamos a falar de messianismo).

O ar mais respirável em termos internacionais é uma visão estúpida, porque o mundo político de hoje não se resume aos Estados e às boas-maneiras constantes de compilações diplomáticas, executadas em salões de embaixadas. O mundo de hoje, envolve declarações enfáticas e dantescas, sobre aquilo que um pequeno grupo de pessoas pensa a propósito do ocidente e seu modo de vida, e como tal é entendido como uma renúncia a Deus. Declarações semelhantes ou piores em termos do mal que se procura infligir, em nome de uma Teocracia mundial, são constantemente procuradas por grupos radicais, como comprovam os meandros da conspiração para fazer explodir um série de aviões comerciais pelo uso de componentes líquidos, descoberto em 2004 e recentemente julgado no Woolwich Crown Court na Grã-bretenha.

O mundo real hoje, nada tem de candura. E por isso preocupam-me alguns dos sinais mais idealistas que em termos de política internacional se manifestam em Obama e que o mundo, rendido, faz vibrar como a um sino: se a sua abordagem dialogante falha, se o seu apaziguamento não obtém resultados práticos, a resposta do mundo ocidental perante um novo ataque, terá que ser 3 vezes mais dura. Nessas circunstâncias, não haverá lugar para misericórdias! E é por isso que a filosofia de Obama, ou pelo menos a filosofia internacional que a Europa espera que o mesmo concretize (o que é substancialmente diferente) nos coloca mais próximos (e não mais longe!) de uma radicalização do conflito civilizacional latente. O mesmo é dizer: Woodrow Wilson dixit!

Atenta esta conjuntura internacional, o “big stick” uma vez formulado por Theodore Roosevelt é a garantia de que os seus protagonistas estarão avisados das consequências, e não se atreverão a explorar as fragilidades de uma abertura ao diálogo, ou de um idealismo inconsequente, que será sem dúvida aproveitado por quem já é surdo, para ganhar folego e incendiar o resto do mundo.

MacCain nisso, é um tipo muito mais avisado…

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Obama and the Promise Land

Como nos Estados Unidos, graças a Deus, nunca existiu Socialismo, fosse em que variante fosse (da social-democracia nórdica, àquele de maior inspiração francesa) e como o pressuposto fundacional do país é o individualismo e capitalismo puro e duro – aonde ninguém ousa tocar – é sempre com um certo descanso, para quem perfilha a Direita política, que vê a disputa partidária norte-americana. Independentemente de quem ganhe o lugar de Washington, será sempre o velho capitalismo, quem dominará a terra do tio Sam!

E é por isso curioso ver o modo como toda a esquerda europeia, literalmente, se baba quando alguém pronuncia o nome Obama. Para eles, Obama cicatrizará as feridas do mundo e fará da América (sobretudo, a sua América profunda) um país um pouco mais civilizado (que é como quem diz, europeu). WRONG! A Europa hoje, não conta para quase nada, e pior ainda, conta cada vez menos para os Americanos. O nosso eurocentrismo e o modelo de vida que habitualmente lhe corresponde (e que para mais está falido!) nunca tiveram grande poder de fascínio ou de penetração nos partidos norte-americanos e não é Obama que se atreverá a mudar isso – se efectivamente estiver interessado em ganhar eleições…

O que me espanta, é que essa salivação incontrolada da esquerda por Obama, não considera minimamente aquilo que ele, efectivamente, representa e defende. Em Obama e nos Democratas não há sistema de saúde universal, há companhias de seguro e seguros de saúde; há cheques saúde pela Medicare; há a promessa de baixar impostos e de eliminar programas federais classificados como “big spenders”; em Obama e no partido Democrático, não há golden shares em empresas previamente nacionalizadas, e muito menos empresas estatais nos transportes, na televisão, nas companhias petrolíferas ou outras; não há rendimento mínimo garantido; não há serviço público de educação antes cheques educação, nem subsídios a agentes culturais (há indústria de conteúdos e ai do Estado que se atreva a patrocinar qualquer dos seus propósitos artísticos); há sobretudo a religião em Obama, as elites endinheiradas e bem pensantes do Massachussets e há mais dinheiro junto para uma campanha eleitoral do que alguma vez foi junto em campanhas eleitorais nos Estados Unidos. Com ele estão muitos dos multi-milionários do mundo, a começar por Warren Buffet, o primeiro de todos; mas sobretudo, em Obama e no partido Democrata (ao contrário do que muito gente possa pensar) não haverá nunca qualquer espécie de hesitação em defender os interesses norte-americanos, aonde quer que eles estejam ameaçados e sobretudo, se eles forem ameaçados em solo nacional (como o provam os Democratas Woodrow Wilson/Grande Guerra, Franklin D. Roosevelt/Segunda Guerra e John Kennedy/Vietname).

Assim sendo e estando a sua política enquadrada por aquilo que é profundamente liberal, não negando ele o facto de ser estruturalmente religioso, tendo durante parte da sua vida, trabalhado para paróquias evangélicas como animador comunitário, porque se baba a esquerda europeia, pelo simples pronunciar: Obama? É por ele ser preto? Seguramente que o seu percurso e curriculum, merecem muito melhor apreço que tal tipo de considerações descriminadoras, camufladas em piedade sarcástica. Porque se prostra a esquerda? Rendeu-se ao capitalismo estado-unidense? Ao liberalismo clássico? E com tal rendição, será ainda possível que a esquerda social-democratizante e tão zelosa do seu secularismo, possa um dia invocar a Deus, pedindo também a sua bênção? Poderá um dia Sócrates dizer "... e que Deus abençoe os Portugueses!"?

Se assim acontecer, eu próprio farei de Obama um Santo! Que Deus nos abençoe a nós e à América, JÁ!

MISERÁVEL

Manter em segredo a demissão de Nobre Guedes da vice-presidencia do CDS-PP (ou devo dizer CDS, ou só PP) durante um ano inteiro é obra.
Há que dar mérito a Paulo Portas neste aspecto. De facto, só vejo outra pessoa em Portugal capaz de tal feito, o seu querido amigo Pedro Santana Lopes. Ou talvez não.

Demérito, e falta de nem sei o que, fica para Nobre Guedes, que apresenta a sua demissão e permite que a sua fotografia continue no site do partido por todo este tempo. Será que nao achou tudo isto estranho? Entao eu demito-me, e nao tiram a minha foto do site? E ninguém me veio perguntar porque?
Ah, pois, o Paulinho nao deve ter dito a ninguém. Deixa lá...

Sobre o que penso sobre todo este episódio, que não me surpreende, ja nem me dou ao trabalho de escrever sobre.
O contra senso de dizer que é inacreditável como Paulo Portas continua a fazer politica no nosso pais, é dizer também que o povo não é muito inteligente, mas também não é burro.
Paulo Portas recebeu o primeiro aviso aquando das eleicoes intercalares para a Camara Municipal de Lisboa, vamos esperar pelas próximas Legislativas e Autárquicas.

Miserável...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

os jogos na china




agora que na china os olímpicos acabaram, todos os outros jogos prosseguem

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

os russos. os soviéticos. os russos.


Há 40 anos atrás, os soviéticos invadiam Praga, esmagando pelos tanques, o desejo de liberdade e democracia dos checos. Haveriam de o repetir, em Varsóvia e Potsdam, e antes de tudo, fizeram-no em Budapeste. Tal facto histórico deve ser por todos lembrado. Contudo, ele servirá aqui, como enquadramento ou fundo histórico para algo mais actual, que afecta as perspectivas de futuro, do mundo de hoje.

Numa altura em que a opinião pública nacional e mundial, espelha muitas vezes um anti-americanismo primário - e muitas vezes saloio - aquilo que se passou há 40 anos atrás Praga, deve ser hoje lembrado, para que todos não se esqueçam, que existem múltiplos "players" na cena internacional, e que a simples diabolização dos Estados Unidos, não corresponde senão a um afunilamento simplório, acrítico e históricamente ignorante, da política, das relações internacionais e da história que lhe subjaz.

O apelo aos EUA feito pela Geórgia, a assinatura do tratado de misséis balísticos com a Polónia, a visita de diferentes chefes de estado do Leste a Tiblissi, em tempo de crise, são a expressão política de um realismo fundamentado, de um medo efectivo, de todos os Estados que circundam a Rússia. E há razões mais que objectivas para tanto: a partição da Polónia por Estaline e Hitler em 1939 com o tratado molotov-ribbentro;, a anexação unilateral da Estónia, Lituânia e Letónia; a invasão da Finlândia e a guerra subsequente; os esmagamentos em Budapeste, Praga e Varsóvia e sobretudo a política do regime comunista, de desenraizamento e de deslocalização massiva de povos, culturas e etnias, que teve o seu expoente máximo em Estaline, com as consquências que hoje conhecemos na Abcázia e Ossétia e outras que se adivinham (e quanto a a esta matéria, à perseguição paranóica, sanguinolenta e cultural de Estaline não há nada como ler a respectiva biografia editada pela Tinta da China e escrita por Montefiore).

Portanto, o apelo aos Estados Unidos, e o alinhamento que em quase toda a Europa de Leste acontece em seu favor, não é o resultado de qualquer política de W. Bush mais ou menos provocadora (se é que alguma ele teve) como muito do anti-americanismo acéfalo, por aí proclama. É antes o óbvio resultado da intromissão, opressão, assassínio, deportação, que históricamente a Rússia e a União Soviética, sempre ali exerceram e que aqueles outros Estados não mais toleram.
Citando murais muito em voga em tempos mais vermelhos, hoje, agora, "os russos que paguem a crise!".

O problema para todos nós, é que a acefalia anti-americana pulula em tudo o que emite opinião e ninguém se digna a contextualizar o verificado, nomeadamente na Geórgia. Aliás, aquilo que aconteceu à Georgia, não é senão o atestado que todos esses países estão certos em alinhar com os Estados Unidos da América. Toda a precipitação Russa, o demonstra, e agora mais que nunca, o Leste não tem outra alternativa, senão cerrar ainda mais as suas fileiras!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

pontapés na bola

A definição do estatuto político das autonomias regionais, já é motivo de cabeçadas político-partidárias, desprovida de qualquer fundamento razoável. As normas consideradas inconstiutucionais visavam apenas agitar as águas, tendo em vista a propaganda necessária às eleições regionais.

É o próprio modelo institucional, constitucionalmente consagrado, que se encontra hoje reduzido pelos principais partidos e pelo sistema político, a ser a bola, na qual todos se dedicam a dar os seus pontapés.
Haverá alguma coisa que não se submeta ao jogo partidário?

quinta-feira, 18 de outubro de 2007