quarta-feira, 17 de setembro de 2008

the maccain endorsement


Já aqui dei nota do conforto existente no resultado que surja nas eleições norte-americanas, para alguém politica e ideológicamente de direita. A terra do tio sam, é um maná de lições e de perspectivas de capitalismo, quer nos seus ciclos expansionistas, que nas suas contracturas económicas, quer na sua agenda de temas políticos. E, independentemente de quem ocupe o púlpito em Washington, assim continuará a ser, graças a Deus! Pelo menos aqueles de direita, não terão de explicar porque é que num momento, dão palmadinhas nas costas ao liberal Obama, e no momento imediatamente seguinte, acham muito bem tudo aquilo que é feito pelo marxista Chavez. Para mim e salvo melhor opinião, a única coisa que estes homens têm em comum será o facto de acreditarem feverosamente em Deus (o que, na minha perspectiva, não é despiciendo!) e agregarem à sua volta, a senilidade visível de alguns políticos cá do burgo, ou a orfandade ideológica de outros dos seus opinion-makers, que os consideram a ambos (Chavez e Obama) o futuro progressista do mundo.

Eu simplesmente, estarreço e citando bolivarianos que são muito bem quistos por estas bandas, digo-lhes também, que vão ao c***** (em espanhol vernáculo)!

Isto dito, porquê MacCain? Sobretudo pelo facto de revelar maior sensatez e realismo no que à política externa diz respeito. Não valerá muito falar apenas das preocupações económicas de cada candidato, porque lido o programa de Obama, ele mantém aprumo nas suas convicções liberais, defendendo os seguros de saúde e não um sistema nacional, uma maior exigência nas escolas públicas (ele produto elitista das Universidades privadas da Ivy League), a baixa de impostos, e não será verdadeiramente por aí que as diferenças serão decisivas.

Já no que respeita à política externa, as diferenças são muito mais importantes. E começando pela economia, Obama propõe a revisão da política fiscal das empresas multinacionais, bem como do acordo NAFTA, propostas essas que são claramente no sentido de proteger a indústria norte-americana da concorrência, augurando-se assim a possibilidade de abrir uma nova guerra comercial entre blocos econonómicos e sobretudo, e consequentemente, prejudicando o acesso dos mercados emergentes e mais emprobrecidos, ao mercado norte-americano e outros. Esta, a medida que primeiramente me causa estranheza, porque efectivamente, constituí a nível internacional, um retrocesso na perspectiva liberal construída pelo partido democrático ao longo de décadas e cujo último pilar, assenta no esforço de Bill Clinton em permitir o acesso da China ao mercado global e a revisão dos acordos GATT, pelo respectivo empenho na emergência da Organização Mundial do Comércio.

As propostas ao nível económico de Obama são assim, mais que susceptíveis de abrir uma nova guerra comercial no mundo, sobretudo em prejuízo dos países emergentes e daqueles estruturalmente agrícolas.

Outra das questões internacionais já aqui debatidas e que claramente me parecem pouco estruturadas, têm a ver com o posicionamento político que Obama já assumiu anteriormente, sobre o papel dos EUA no mundo, muito embora o mesmo tenha tentado esbater mais recentemente, muitas dessa suas posições: veja-se o caso da retirada do Iraque, primeiro incondicional, depois objecto de discussão com as patentes militares (por isso o acusam de ser flip-flopper em matéria externa!). O que me parece evidente é o vazio daquilo que pensa, que esconde em frases hollywoodescas, como aquelas proferidas em Berlim, frente a esquerdistas extasiados e movidos de esperança, nos termos das quais, "(...) The walls between old allies on either side of the Atlantic cannot stand. The walls between the countries with the most and those with the least cannot stand. The walls between races and tribes; natives and immigrants; Christian and Muslim and Jew cannot stand. These now are the walls we must tear down". Bonito sem dúvida, mas inconsequente, porque de tais boas intenções está o mundo cheio e palavras não chegam para que aquelas paredes caiam (não deixa de ser curioso que Obama faça explicita referência a Reagan).

Por isso me parece MacCain, alguém menos espectacular, menos flashy, menos trendy, mas com outro tipo de reserva moral e política, que Obama não consegue demonstrar (apesar da respectiva genialidade retórica e estrelas de Hollywood) reservas essas, que num mundo com grandes desafios, serão fundamentais para continuar a manter os EUA como país essencial à paz e ao progresso económico do mundo. E não me venham com o argumento de que o Senador do Arizona e antigo prisioneiro de guerra, representa um novo modelo de fascismo americano! Quem diz isso, não conhece a realidade política norte-americana e do que ela se faz e depende. Algum político, em sã consciência, vai dar um pontapé nos eleitores envangélicos, que representam mais de 25% da população norte-americana? Atacar isso é atacar por exemplo toda a substância ideológica e política de Martin Luther King Jr.! Ora, ninguém é estúpido e os Democratas muito menos, sobretudo porque todos acreditam e pretendem que Deus, em cima de burros ou elefantes, continue a abençoar a América... E isso terá sempre o meu voto!

May God continue to bless America!

PS: a visões aqui explicitadas são responsabilidade exclusiva do seu autor e não correspondem a uma visão do blog feirafranca, conforme nele se torna manifesto!

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